Capa Educação

Como nos ensinam a “estudar”

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[intro]A educação brasileira se baseia em um sistema que desvaloriza o “pensar”, prezando por métodos que não beneficiam os raciocínios lógico e crítico dos jovens. O resultado disso são adultos moldados pelo sistema, pessoas que foram estimuladas a memorizar e a passar em provas. Nada mais.[/intro]

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A análise e a proposta que seguem são decorrentes de tudo que vivenciei nas escolas e nas universidades que frequentei, tanto públicas quanto privadas. Do maternal à graduação, percebi que o modo como a educação é tratada é falho e ineficiente. E como eu, enquanto aluna, fui e sou tratada. Como me estimularam a agir como um robô acumulador de dados e informações. Me ensinaram a decorar, me ensinaram a fazer os mais diversos tipos de provas, mas não me ensinaram a pensar, não estimularam a minha curiosidade e a minha criatividade. Mediram o meu conhecimento com números, com notas que nunca me representaram. Depois de tomar consciência disso tudo eu me sinto enganada e traída. Me disseram que a escola era um espécie de segundo lar, onde todos trabalhavam em prol do meu crescimento. Mentira. A escola não cumpriu o prometido. Não por culpa da escola em si, muito menos dos profissionais que trabalham nela, mas por culpa do sistema em que a educação está estruturada. Não conheço todas as escolas desse país, mas acredito que a grande maioria delas seja fiel ao triste método a que fui submetida a vida inteira.

estudos

Peço desculpas pelo desabafo na introdução. Vamos ao que interessa.

De acordo com o dicionário Michaelis UOL, a palavra educação se define da seguinte forma:

[box]educação

e.du.ca.ção

sf (lat educatione) 1 Ato ou efeito de educar. 2 Aperfeiçoamento das faculdades físicas intelectuais e morais do ser humano; disciplinamento, instrução, ensino. 3 Processo pelo qual uma função se desenvolve e se aperfeiçoa pelo próprio exercício: Educação musical, profissional etc. 4 Formação consciente das novas gerações segundo os ideais de cultura de cada povo. 5 Civilidade. 6 Delicadeza. 7 Cortesia. 8 Arte de ensinar e adestrar os animais domésticos para os serviços que deles se exigem. 9 Arte de cultivar as plantas para se auferirem delas bons resultados. E. física: a que consiste em for­mar hábitos e atitudes que promovam o desen­volvimento harmonioso do corpo humano, mediante instrução sobre higiene corporal e mental e mediante vários e sistemáticos exercícios, esportes e jogos.[/box]

O conceito aqui considerado é o abrangido nos itens de 1 a 4.

Pode-se dizer que, atualmente, a educação brasileira se baseia em um objetivo. Desde pequenos os alunos são estimulados a escolher uma área de atuação com o intuito de se decidirem profissionalmente no futuro. Este objetivo, então, tem a ver com a profissão e a função social que os jovens terão quando forem adultos. Não vou entrar no mérito de que hoje se estuda para ter um bom emprego, pois esse tema é amplo e pode ser contemplado num artigo próprio. O fato é que este objetivo tem como pivô uma prova chamada vestibular.

O vestibular é o ápice da formação básica (ensino fundamental e ensino médio). Tudo o que é transmitido aos alunos gira em torno desta prova. Todas as séries preparam gradativamente os alunos para estarem prontos para uma prova. Além disso, o sistema ainda incita repetidas vezes que esta prova é a que decidirá todo o resto da vida deles, que todo e qualquer caminho que o aluno resolva trilhar quando sair da escola depende dessa prova. Uma crueldade, diga-se de passagem. Nos vendem um discurso onde os que passam na prova são os vencedores (e os que não passam, são o quê?) e não medem as consequências dessa repetição.

Uma pessoa que entra na escola com três anos de idade e se forma no ensino médio com dezessete anos terá passado quinze anos de sua existência se “aprontando” para uma única prova, para uma única etapa, para uma única fase. É algo tão limitado que chega a ser inacreditável. É difícil entender o porquê desse sistema persistir, o porquê de quase ninguém se sentir lesado por conta dele.

As disciplinas hoje ministradas carregam em si um número desmedido de conteúdos. Muitos dos temas abordados nas disciplinas são dispensáveis e inúteis. É muito comum ouvir a seguinte colocação dos alunos: “Mas eu nunca vou usar isso na minha vida”. E é um fato. Muito do que é repassado em sala de aula não se usa fora dela. Para exemplificar, no ensino médio, um aluno terá que estudar geometria analítica em Matemática. Este é um conhecimento tão específico que interessa apenas ao aluno que for se especializar na área. Sem contar que é um conhecimento que não deveria estar na formação básica, deveria ser exclusivamente da formação superior. Um aluno que não pretende continuar seus estudos nessa área não precisa se sujeitar a esse conteúdo, pois é desnecessário.

Devido à sobrecarga de conteúdos os alunos são obrigados a decorá-los. Os alunos memorizam o que é de interesse para o momento, seja um trabalho ou uma prova específica, e depois apagam os dados de seus cérebros. É assim que funciona. É assim que o vestibular funciona. Os estabelecimentos de ensino criam métodos e mais métodos de memorização e vendem isso como se fosse a coisa mais sensata a se oferecer. É uma tática adotada principalmente no ensino médio e nos cursos pré-vestibular. Os alunos decoram músicas com palavras-chave, decoram fórmulas com palavras que possuem as iniciais das fórmulas e são levados a acreditar que isso é aprendizado, que isso é conhecimento. Não é. O vídeo abaixo exemplifica como os alunos são encorajados a decorar, não a entender:

É triste saber que a maioria das pessoas, tanto alunos, quanto seus pais e seus professores aplaudem esse tipo de aula. É uma aula cômica, não muito estressante, correto. Mas é uma aula que não acrescenta absolutamente nada. É uma agressão à capacidade intelectual dos alunos.

O curioso dessa questão das disciplinas é que, mesmo elas contendo tanta informação, ainda faltam conhecimentos a serem incluídos, conhecimentos importantíssimos e essenciais. As disciplinas já existentes devem passar por uma grande reformulação e novas disciplinas devem ser acrescentadas. O ideal é que a escola prepare os alunos para situações de vivências presentes e futuras, não para uma prova.

O que acredito que deva ser acrescentado na grade escolar: legislação, economia, política e trânsito. Todo cidadão deve ter noção do que está exposto na Constituição Federal, nos Códigos, nos Estatutos (…). Assim como deve ter entendimento, mesmo que básico, do que está envolvido com a política e a economia, como funcionam, no que se baseiam; afinal, o sistema político e econômico vigente é o sistema capitalista. E algo tão complexo quanto o trânsito não deveria se resumir a alguns dias de aulas teóricas obrigatórias para a aquisição do documento de habilitação. As crianças não podem se tornar adultos sem que saibam o mínimo destes assuntos. São assuntos que fazem parte da vida de todos, desde o nascimento até a morte. Não são temas que dependem da futura área de atuação profissional do aluno, são temas gerais. É um erro não tratá-los com a devida relevância. São assuntos que merecem destaque em qualquer programação escolar.

mafaldavocequemmeentende

Na lição de Paulo Freire: “Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho”. Crianças precisam crescer com esse discernimento.

Quanto às disciplinas existentes, o apropriado seria se desfazer da maioria dos conteúdos descartáveis e incluir conteúdos úteis. Por exemplo, estudar nutrição e alimentação em Biologia é bastante relevante. Abordar temas que envolvem tecnologia e desenvolvimento nas aulas de Física e Química também é apropriado. É preciso despertar a curiosidade dos alunos. Não há estímulo suficiente em uma aula puramente teórica, nos moldes do quadro, giz e cópia no caderno. Disciplinas que envolvem as ciências biológicas e as ciências da natureza devem ser vistas tanto pelo viés teórico quanto pelo viés prático. Existe uma diferença enorme entre ler e ouvir sobre o movimento de revolução da Lua em torno da Terra e observar, noite após noite, com um telescópio, esse movimento. Tirar as próprias conclusões e anotar as próprias observações sobre o fenômeno é mais estimulante, é mais legal. A escola tem que proporcionar isso aos alunos.

Outras duas disciplinas, a educação física e a educação artística, devem ser mais valorizadas. Preza-se muito as disciplinas que não envolvem as capacidades físicas e artísticas. Os alunos que apresentam habilidades para os esportes, para a música, para a dança, para o teatro ou para pintura não são estimulados a aperfeiçoarem-nas. O sistema supervaloriza certas habilidades e menospreza outras. Como se existissem conhecimentos superiores a outros. Como se um aluno muito habilidoso em dança fosse inferior a um aluno muito habilidoso em Física, por exemplo. Observando-se os maiores gênios e as maiores personalidades ao longo da história, vê-se que eles estão espalhados por todas as áreas do conhecimento, não em áreas específicas.

O psicólogo Howard Gardner sugere a existência de inteligências múltiplas, rompendo com a ideia de que a inteligência é única e se apresenta igual a todos os indivíduos. As inteligências que se baseiam no trabalho de Gardner e hoje consideradas são: lógico-matemática, linguística, musical, espacial, corporal-cinestésica, intrapessoal, interpessoal e naturalista. Na imagem abaixo há uma visão geral sobre cada uma delas. Dentre as várias formas que o aluno pode demonstrar sua inteligência, a escola não deveria considerar apenas uma delas como a merecedora de desenvolvimento e aprimoramento. É visível que a escola prioriza a inteligência lógico-matemática em primeiro plano e a linguística em segundo. As demais inteligências não encontram muito espaço no ambiente escolar. Isso afeta consideravelmente os alunos que, para se adequarem ao sistema, renunciam as suas personalidades, os seus dons. É uma gigantesca injustiça o que ocorre com esses alunos. Não pode ser assim. Não deve ser assim.

inteligênciasmúltiplas

Não adianta dizer que um país precisa de educação para crescer. Não adianta dizer que a escola pública precisa melhorar. O Brasil tem uma educação vigente. O que deve ser mudado é o sistema. Tanto a escola pública quanto a escola particular agem de acordo com esse sistema. Este sim precisa ser reformado, reformulado. Sempre que voltava do colégio passava por um muro com a seguinte pichação: “Só a educação liberta esta nação”. Eu concordava com aquilo. Hoje não concordo mais. A educação como está não nos libertará nunca. De nada. Enquanto não ocorrer uma mudança, nós, alunos, não seremos vistos como cidadãos, como pessoas, continuaremos a ser vistos apenas como mais um “tijolo no muro”. A educação virou comércio, virou negócio. Quem lucra não é o aluno, são os empresários do ramo e o Estado que estima robôs, não seres pensantes. E isso é doloroso. É doloroso tomar consciência do que fazem conosco.

O pior de tudo é sair da escola, entrar na faculdade e perceber que nada mudou. “E eu achando que tinha me libertado… Mas lá vem eles novamente e eu sei o que vão fazer: reinstalar o sistema” (Admirável chip novo – Pitty). Antes era vestibular e Enem, agora é OAB, Enade e concursos (sou estudante de Direito). A impressão que fica é a de que ninguém se preocupa em me formar uma profissional competente e preparada para enfrentar os reais desafios futuros. A seguinte citação de Cesar Pasold traduz o que digo:

[box]Percebe-se que se está a conferir a capacidade do acadêmico no armazenamento literal do texto codificado. Não se busca aferir, por exemplo, a capacidade de raciocínio segundo os princípios constitucionais. Relega-se a interpretação, pois esta pode ensejar que o despachante forense tome atitudes conscientes, críticas, que não são bem quistos dentro do sistema vigente. Evita-se a mudança de paradigmas a todo custo. A capacidade ética do futuro profissional perde razão para as potencialidades de sua memorização. Por isso, não rara a constatação de que muitos acadêmicos, com perfil ético e profissional de verdadeiros juristas, não consigam lograr êxito nos referidos Exames, posto que estão voltados a um novo paradigma jurídico”.[/box]

Esta semana tive a oportunidade, depois de uma prova oral, de desabafar tudo isso para um professor. Ele disse que não tirava minha razão, mas que ele, sendo também professor de cursinho, via que a tendência era só piorar. Agora, me diz se não é para ficar desanimada?

Tudo que querem é formar um nome na lista de aprovados. Só. Alunos não passam de números de inscrição nas milhões de provas da vida. Às vezes, a contragosto, acabo concordando com aquela frase que diz que a ignorância é uma virtude. Infelizmente.

E, para não ser injusta com aqueles que destoaram das regras impostas pela educação e compartilharam mais do que macetes comigo, fica o meu agradecimento. Obrigada aos professores que viram em mim uma pessoa, não mera ferramenta de trabalho. Valeu a pena tê-los conhecido. Se você é professor e está lendo o artigo, o pedido que fica é: preze pelos seus alunos, você tem uma responsabilidade enorme em mãos, você tem em seu convívio pessoas valiosas que esperam ser tratadas com respeito. Não somos máquinas. Nós merecemos mais consideração.

Para complementar:

Rubem Alves – A escola ideal – O papel do professor

Ken Robinson: Escolas matam a criatividade?

Gabriel o Pensador – Estudo Errado

Inteligências (Você se acha burro?) – Hugo Codasi

Ensino de Física no Brasil segundo Richard Feynman

Os sete saberes necessários à educação do futuro – Edgar Morin

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS – Luiz Carlos Panisset Travassos

Bônus:

Pink Floyd – Another Brick In The Wall

Mesmo que eu esteja em outra época, faço das palavras do refrão as minhas e a cena entre 4:22 e 5:35 sempre arranca um sorriso da minha face.

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Estudante, questionadora e em busca de conhecimento :}
  • Aline Martins

    Hellen, Parabéns!
    Excelente texto!
    Temos ideias bem parecidas sobre este assunto. Inclusive quanto a incluir aulas de legislação, política, economia… na grade escolar.
    De que adianta sermos “educados” se não temos educação?

  • Gabriela Anael

    Exatamente! Não tenho nada a acrescentar pois escreveu tudo o que eu pensava e mais.

  • Isabella Basso

    Concordo com tudo! Infelizmente hoje em dia (e desde o surgimento do sistema de ensino vigente) somos obrigados a aprender coisas pelas quais não nos interessamos, ao invés de nos dedicarmos ao aperfeiçoamento de nossas habilidades individuais. Eu, por exemplo, fico super frustrada, pois existem assuntos que eu estudo por conta própria porque realmente tenho gosto de aprendê-los, enquanto que na escola sinto que estão enfiando informações inúteis na minha cabeça… É uma padronização de pensamentos. Isso não está certo. Penso que a sociedade seria muito mais produtiva se o modelo de ensino fosse reestruturado, de modo a dar mais liberdade a cada aluno e a permitir que ele ESCOLHA o que quer aprender.

  • Ruminando sobre…

    Muito bom seu artigo Hellen. Também fico me perguntando porque no ensinam tantas coisas “de certa forma inúteis” no nosso dia a dia e não nos ensinam outras que usaríamos corriqueiramente. Gostaria de acrescentar aos assuntos que você mencionou: cultivo/criação, preparo e conservação do próprio alimento, que é a coisa mais básica que existe. Realmente a escola não nos prepara para a vida. Digo isso aos 32 anos e desempregado, após 22 anos de estudo, com direito a mestrado, doutorado… cheio de “conhecimento na cabeça” que não consigo reverter em melhores condições de bem-estar para minha família.

  • Waleska Ribeiro

    Amei seu texto Hellen, traduz tudo o que eu sinto nesses últimos dias como estudante. E é exatamente o que a gente conversou aquele dia. Infelizmente, somos criados para sermos maquinas a serviço dos interesses do Estado. E que por sua vez, o Estado é feito para servir aos interesses de grandes empresários. Num mundo capitalista onde dinheiro fala mais alto que tudo, a educação também não poderia escapar desses moldes! Tenho medo dessas evoluções, e do que estar por vir. A cada dia a humanidade está mais desumana e mais injusta!

  • Elitom

    Só Parabéns !!

  • Mariane Nunes

    Amei!!!!

  • Andre Luis EdeSouza

    Sou professor há 20 anos. Já dei aulas em escolas públicas e particulares. E me enoja ouvir que “escolas públicas são um lixo; só as escolas particulares são boas.”
    Onde leram isto? Ou é reflexo da nossa cultura consumista e iludida, que acha que só o que é caro é bom? Porque vou te dizer a realidade das escolas no Brasil.
    Escolas particulares, caras, famosas, o “supra-sumo” da educação: professores que ganham melhor que na escola pública, que entram na sala de aula, pedem para os alunos lerem tal página, porque vai cair na prova, e passam a aula inteira fazendo coisas particulares. “Ganho o meu salário do mesmo jeito, porque vou me incomodar?”
    Escolas públicas, sucateadas, com professores que ganham muito mal, mas entram na sala de aula, dão o melhor de si para que os alunos tenham uma aula de qualidade, mesmo sem recursos. “O MEC não permite que ensinemos os alunos, mas até onde podemos ir para que as aulas sejam boas sem quebrar as regras do governo?”
    Escolas particulares, onde o pai paga para que o filho mimado estude e tire boas notas. A criança ignora todas as regras, não estuda, desrespeita o professor, e ganha um 3 na prova. A coordenadora da escola briga com o professor: “O pai deste aluno não aceita que o filho tire menos que 8. Dê um jeito, faça uma prova mais fácil.” Você faz e o pirralho(a) tira 5. “Faz um trabalho simples valendo nota!” Você faz e a nota não melhora. “Dê um jeito! Não pode tirar menos de 8.” Aí você simplesmente dá uma nota 9, e a coordenadora diz: “Que vergonha, professor! Que falta de profissionalismo. Isto tudo é preguiça de corrigir trabalho?” Mas aceita a nota assim mesmo.
    Depois você vê propaganda da escola dizendo que os alunos todos tiram notas boas, e fica enojada, porque sabem que a maior parte deles ganhou a nota de graça. Ou melhor, os pais pagaram pela nota!
    E isto não aconteceu em uma escola. Segundo muitos professores podem atestar, é uma realidade geral!

  • Hidal

    Parabéns pelo texto, sou professora ha pouco tempo, mas penso como você, e vejo que muitos professores tentam nos desanimar, dizendo que estamos só no começo, que as dificuldades virão e que não conseguirei desenvolver atividade que façam com que meus alunos realmente aprendam alguma coisa…mas eu realmente acredito em mim, e acredito que eu posso fazer diferente… eu tenho a opção do sistema, mas eu também tenho a minha opção que é não passar conteúdos meramente para preencher papéis que sedo ou tarde serão rasgados, queimados e esquecidos… quando você parte do pressuposto de ensinar (da forma de adquirir e passar conhecimentos) utilizando a realidade do aluno, tenho certeza que o resultado é muito gratificante… pois não quero ser um numero na vida dos meus alunos, da mesma forma que não quero que eles sejam somente um numero para mim…

  • Luis

    Se você estiver generalizando todo o caso, acho bem pequeno seu pensamento. Até porque o texto não fala sobre escolas públicas e particulares, mas sim, em geral.

  • João Alexandre Neto

    Se o seu comentário for complementando o artigo tudo certo, é uma opinião sua, mais também não deve generalizar ao extremo, sou estudante de escola pública e gosto, mais tem escolas particulares onde levam tudo a sério e o resultado não são alunos treinados para decoreba e sim futuros cidadãos inovadores e criativos e que sabem usar o que gostam para o bem comum. Tem um pouco de tudo para todo lugar, essa é a verdade.

  • john

    concordo plenamente com tudo. no entanto discordo quando voce diz existir conhecimentos inuteis. em países com excelencia na educaçao como os paises asiaticos e alguns europeus geometria analitica, mas ainda calculo é ensinado ainda no ensino médio,coisa que aqui alguem teria que fazer curso superior na area para aprender.

  • Márcio Araújo

    Show de bola, ótimo texto ! Sempre fui um aluno que costumava tirar notas suficientes apenas para passar de ano, não me interessava em me aprofundar aos estudos e ficava triste comigo mesmo, mas no fundo eu sabia que eu era inteligente e gostava de estudar só não entendi o ” pq ” da minha falta de estímulo ou rendimento maior que de um aluno ” nota 7″ e esse seu texto retrata exatamente oque passei durante minha vida escolar, não só eu, como também milhares de alunos tenho certeza que passam pela mesma situação e não sabem onde tá a raiz do problema. Como foi citado no texto não é a educação brasileira que é falha, o buraco é bem mais embaixo, é o sistema que é falho que é voltado para a formação de robôs e não cidadãos.

  • André Lucas

    Concordo sobre incluir legislação, economia e noções sobre trânsito na grade curricular. (Mas veja que não há o que pensar sobre essas matérias, há apenas o que decorar).
    Respeitosamente descordo sobre o seguinte parágrafo escrito por você:

    “As disciplinas hoje ministradas carregam em si um número desmedido de
    conteúdos. Muitos dos temas abordados nas disciplinas são dispensáveis e
    inúteis. É muito comum ouvir a seguinte colocação dos alunos: “Mas eu
    nunca vou usar isso na minha vida”. E é um fato. Muito do que é
    repassado em sala de aula não se usa fora dela. Para exemplificar, no
    ensino médio, um aluno terá que estudar geometria analítica em
    Matemática. Este é um conhecimento tão específico que interessa apenas
    ao aluno que for se especializar na área. Sem contar que é um
    conhecimento que não deveria estar na formação básica, deveria ser
    exclusivamente da formação superior. Um aluno que não pretende continuar
    seus estudos nessa área não precisa se sujeitar a esse conteúdo, pois é
    desnecessário.”

    Veja bem, chega a ser irônico você escrever que temos “disciplinas dispensáveis e inúteis” que não servem pra nada e defender em seu texto que somos levados a decorar e não a pensar. Se você aprende na escola só o que você tem certeza absoluta de que vai usar na vida, você apenas estará DECORANDO e reproduzindo o que ALGUÉM PENSOU e encontrou uma aplicação para o conteúdo aprendido. Se você defende tanto pensar em vez de decorar, PENSE em aplicações para as “disciplinas inúteis” e torne-as úteis.
    Para citar um exemplo, números primos que qualquer aluno de ensino médio sabe o que é, e que todos falam que não servem para nada. Sem eles, não existiria criptografia. Logo, não existiriam transações seguras pela internet. Logo, seria impráticavel realizar compras pela internet, pagamentos de contas, acesso à e-mail de forma segura, etc. E isso é uma aplicação recente, até antes da internet as pessoas diziam que números primos não serviam para nada.Até que alguém encontrou uma aplicação para eles.
    Outra coisa, você defende estudar fisica e defende tirar geometria analítica da grade curricular. Quando você libera um corpo de uma certa altura ele cai em linha reta em direção ao solo. Quando um canhão dispara uma bola canhão a bola descreve uma trajetória parabólica. Ora, mas o que é uma reta ? O que é uma parábola ? Tudo isso se aprende em geometria analítica. Economia está muito ligado a taxas de variação, o que está ligado com derivadas que se aprende apenas num curso superior de Cálculo. Para se fazer um bom curso de cálculo precisa conhecer bem geometria analítica.
    Tem muitos outros argumentos que eu poderia expor para sustentar minha opinião e meu ponto de vista, mas o texto está ficando longo. Para terminar, gostaria de dizer:
    Se você só aprende o que vai usar, você não desenvolve uma minímina capacidade de ABSTRAÇÃO que seja. Você não será capaz de criar coisas novas. A humanidade não estaria se desenvolvendo do jeito que está hoje.

  • Crislene Santos

    Sensacional guria, transformasse em palavras os sentimentos de vários alunos. É exatamente isso, precisamos reinstalar o sistema. E sim eu acredito na mudança, sempre devemos e buscar por elas, pois reclama só não adianta. Não somos robôs, não somos fracassados ou melhor do que ninguém, somos filho da pátria, herdeiros dessa nação!

  • Gudson

    Você falou tudo. Atualmente você não aprende nem o que quer nem o que precisa, aprende o que eles querem que você ache que precisa.

  • alessandro

    Eu faço pedagogia. E essa é uma das minhas problemáticas também. Não concordo com esse sistema. Segundo, ALTHUSSER, a escola é uma aparelho ideológico do estado. Em outras palavras, uma maquina de fazer mão de obra qualificada para o mercado capitalista. Portanto, quanto menos pensarmos melhor.

  • Nivia Moreira

    Parabéns! Seu texto é ótimo e retrata tudo que nós enquanto alunos somos obrigados á aceitar..
    queria muito entrar em contato com vc..

  • Frederico

    Acho que além das matérias que tu colocaste, diria que uma tão importante quanto ou até mais, na minha visão, é a sociologia! Diria indispensável em qualquer tipo de ensino.
    E discordo com a tua parte de que a educação não muda. Primeiramente, que tu não pode se apegar apenas a palavra “educação” como o método formal de ensino (os colégios). Educação tu pode ter por si, lendo, pesquisando, indo atrás de informação e diferentes informações. Segundo que eu tive essa mesma educação institucionalizada e hegemônica, e tenho pensamentos muito diferentes da sociedade atual. A educação formal pode não ser a ideal para uma mudança sistêmica, mas que uma boa qualidade dessa mesma já ajuda, isso é certo!

  • Samuel Junior

    Vou colar aqui uma das 10 estratégias de manipulação de massas escritas por Noam Chomsky:

    Manter o público na ignorância e na mediocridade

    Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os
    métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da
    educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre
    e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja
    entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e
    permaneça impossível de alcançar (ver “Armas silenciosas para guerras
    tranquilas”).

  • Ariane

    Comecei a pensar nisso depois de uma campanha da MTV. Já tinha meus 20 e poucos anos e o meu sentimento foi o mesmo que o teu: de enganação!

    http://www.youtube.com/watch?v=Yf1qVcBfSi4

  • Cleiton Maia

    Assim como muitos, concordo com tudo o que foi dito. Penso da mesma forma. O sistema deve mesmo ser mudado.
    Ótimo texto, adorei, vou passar pra galera ><

  • Bruno

    Acredito que o vestibular é a forma de seleção concreta mais justa, visto as condições do ensino do Brasil. Aqui temos uma enorme diferença entre escolas, com qualidade variada, inviabilizando a análise do histórico escolar… Acredito também que o que é visto em aula é realmente o básico da área. Notei no texto um tom imparcial em relação a separação das áreas (Bio/Hum/Exa), quando é citado que geometria analitica é muito restrito à pequenas áreas. Isso é uma mentira. Qualquer área de estudo que envolva processos físicos, químicos ou biologicos necessita de um mínimo de geometria analitica (e acredite, o que é visto no ensino médio eh realmente MUITO POUCO perto do que é visto na faculdade), já que é muito comum análise de gráficos.
    Texto sustentado por argumentos superficiais…

  • abcdef

    Concordo com grande parte. Mas não acho que os conteúdo da ementa atual do ensino médio seja tão inútil assim. Os assuntos são importantes, inclusive geometria analítica. Acho que o problema é como o matéria é ensinada, ou seja, na forma de decoreba e sem muito “hands-on”. Quando fiz meu mestrado larguei meu emprego para seguir na área de pesquisa. Quando fiz isso passei a ganhar uma bolsa bem menor que o meu antigo salário, mas era um investimento. 99% colegas já eram ou queriam se tornar professores e maioria entrou no mestrado porque não conseguia arranjar emprego na indústria. Na real, não eram os melhores que estavam entrando para se tornar professores e sim os mais medíocres alunos. Os caras tinham prazer em contar como aplicaram uma prova “só pra fuder” o aluno e nem eles saberiam resolver a prova sozinhos. Enfim, o assunto tem pano pra manga..!

  • abcdef

    Realmente é o básico do básico. Também senti um certo trauma da autora em matérias da área de exatas, chegando a alegar que certas coisas não deveriam ser ensinadas. Como escrevi em outro comentário acho que o problema não está no conteúdo dos matérias, mas sim como são ensinadas.

  • Fabio Cabral

    Belo artigo. Parabéns. Mas é bom ir com calma, em termos de conteúdo, o sistema educacional brasileiro não é terra arrasada. O nosso problema mais urgente é falta de infraestrutua e de salários dignos. Quando esses dois pontos não são abordados, praticamente transferimos o problema para o professor, pois ficamos debatendo como se eles não existissem.

  • HellenMA

    Eu gosto tanto de Matemática, fala isso não, coleguinha .-.

  • Lucas

    Meus parabéns para o seu texto, transformou em palavras o que muita gente pensa mas não tem muita habilidade para desenvolver textos hahahah parabéns!

  • Eliseu Rosendo Nuñez

    Parabéns Hellen, vc expressou tudo o que penso sobre o assunto. sou prof. de Direito em Sampa e pai de um aluno de 17 anos e me agonia muito o nossos sistema educacional alienante. Repassarei seu texto e aguardarei outros.Abç

  • Kauê de Lima

    A autora do texto e demais hão de me perdoar, contudo não acredito no panorama da “inteligência múltipla”, e digo o porquê: diria-se que uma pessoa simpática, que tem naturalmente o dom da conversa e da amizade seja inteligente? Na minha opinião, não, pois essa é uma habilidade inata. Não tem como aprender a ser uma pessoa empática. Podes-se sim, melhorar os aspectos psico-sociais das pessoas, mas não alterar totalmente a forma como ela interage com as demais pessoas. Da mesma maneira, o Neymar pode ser considerado um gênio? Por essa corrente sim, uma vez que ele tenha habilidades físicas e motoras que o permitem jogar bola muito bem. No entanto, isso ainda não é uma habilidade adquirida, e sim um dom que nasceu com ele: a coordenação correta para o futebol. Eu particularmente não me considero nenhum gênio, mas garanto estar acima da média, no que diz respeito à capacidade cognitiva. Acredito que a inteligência seja a capacidade e facilidade de absorver conhecimentos e utiliza-los a médio e longo prazo (não necessariamente na prática). Outro exemplo a ser citado é que, Einstein era um cara, segundo registros, não muito sociável, e péssimo dançarino. Seria ele portanto, “uma anta”?? Creio que não. Por isso, acho que a inteligência múltipla, ainda que tendo sido criada por um renomado psicologo e defendida por estudiosos de Harvard, uma grande desculpa para dar subterfúgios àqueles que não são de fato inteligentes de term algo para se gabar.

  • Marcelo

    Concordo absolutamente com cada palavra. Não há nem o que acrescentar. É exatamente TUDO que penso. Estou no ultimo ano do ensino médio e é uma tristeza pra qualquer vestibulando essa realidade. Artigo sensacional. Parabéns.

  • Roger Gonçalves

    A gente tem que tomar alguma atitude.

  • Julyan Axel

    Aqui no Amazonas há o PSC (processo seletivo contínuo), que é uma espécie de vestibular parcelado. São tres provas aplicadas durante os tres anos de ensino médio. Foi por esse sistema que eu entrei pra Ufam e acho que dessa forma ja muda muita coisa em relação aos vestibulares convencionais…..

  • Julyan Axel

    só lembrando que um professor de história ou um históriado provavelmente nunca usaria a geometria analitica, por exemplo

  • Bruna

    “Geometria Analítica” foi um mero exemplo usado pela autora. Podia ser qualquer coisa. Mas muita gente, como você, ficou mordida porque o exemplo foi de exatas, que é supervalorizada no país, o que, aliás, é parte da crítica do texto! Se um aluno é o melhor da sala em geografia mas tem dificuldade extrema em física, já é considerado pior, “burro”.
    Quer um exemplo de humanas (vindo de alguém que faz humanas) pra se sentir melhorzinho? Eu acho que orações subordinadas/coordenadas devia ser assunto apenas do ensino superior (que é, aliás, muito mais complexo do que o pouco visto no ensino médio, como é também o caso da GA), e que no lugar fosse ensinado sóciolinguística, eliminando o preconceito linguístico tão forte de hoje em dia.
    Aliás, eu sei que pra você pode parecer que geometria analítica é essencial, mas eu NUNCA vou usar na minha vida. Como não vou usar fórmulas físicas, ou química biológica, entre muitas outras coisas que passei a vida decorando. E você também NUNCA vai analisar um período como simples ou composto, o que é básico e importantíssimo pra mim, entre outras matérias que também seriam dispensáveis pra você.

  • Barros

    “Administradora Estudante, questionadora e em busca de conhecimento :}” Primeira citação que eu vejo que não tem alguma frasezinha tosca ou piadinha engraçada. Só por causa disso já ganhou minha admiração, parabéns Sra. Hellen.

  • Emanuel

    e é por isso que eu sempre odiei a escola e continuo odiando a faculdade. Tenho um colega que já decorou diversos livros, a prova dele, as respostas, vem exatamente igual(pleonasmo detected) aos livros. ai eu pergunto: cadê a habilidade de interpretar o que estava escrito e por aos seus olhos? o que você pensa? sua opinião é exatamente igual(pleonasmo again) ao do autor?

    Vou me formar, sair do país para fazer uma pós e talvez um masters, por que aqui não da

  • Emanuel Junior

    Rapaz, saí do colégio e fiz um ano de engenharia elétrica, eu saí capengando em vetores 2D e um ou outro assunto, na faculdade já veio em cima vetores 3D geometria analítica e álgebra linear. o que a autora quis dizer não era pra expurgar essas matérias do colégio, mas assim, saber o que são os reinos dos protozoários, fungis e protistas é legal. massa, mas isso é cultura, não “educação em si” quando, em aulas de biologia, você ensina sobre nutrição, saúde e bem estar… você. além de mostrar uma vertente de profissões para o aluno, você educa sobre os benefícios e malefícios de alimentos e hábitos podendo até diminuir obesidade e certas doenças em crianças.
    matemática é fundamental para desenvolver o raciocínio lógico, espacial…. mas o que a autora quis dizer é pra não focar só nele. eu não consigo decorar nada, prova de marcar pra mim é uma tortura, não decoro formula, nome de gente, de prédio… mas eu aprendo, se eu for em um lugar é raro esquecer como chegar de novo, esse artigo nem lembro direito o que tem nele, eu sei a ideia principal, o que a autora quis dizer e mais um punhado de coisas, mas não consigo lhe transcrever uma frase inteira que tem lá em cima sem pescar. por que o Brasil não tem bom rendimento nas olimpíadas? por que tirando futebol e um punhadinho de esportes o resto não é valorizado. diversas outras coisas também, mas o texto tá muito longo então, fui!

  • Emanuel Junior

    eu vou, minha mãe é professora de português, se eu reclamar ela me mata =X; no ensino médio eu tinha 0,0023 segundos para responder cada pergunta dela ou então o pau comia. KKKK

  • Emanuel Junior

    uma pergunta: alguém aqui já usou bascara(sei lá escrever isso) na vida? X= -B +ou- Raiz de delta sobre 2a
    delta= b2-4ac. fiz força pra lembrar essa ai, mas alguém ai já usou? a formula da MUV e sei lá mais quais.

    ps: físico não vale

  • Bianca Campos

    bem, não sei… para se adotar essa “modalidade” de estudos seria bom que pelo menos mais da metade dos alunos estivessem preparados pra essa escolha… o que é possível e provavelmente uma não-realidade. Imagino eu que as ciências exatas, por exemplo, seriam amplamente renegadas por aqui, sendo, no entanto, ainda que de um nível matemático rasteiro, de grande utilidade.

  • Marcelo

    Tem que ser esclarecido para a autora do texto, que os seus pais assim como vários outros com certeza escolheram a escola em que ela estudou nao por ser a melhor, mesmo com o método mecânico C que a maioria dos pais adoram mais sim pelo statos que a escola proporcionava a eles, agora vai chorar na cama que e lugar quente

  • HellenMA

    Quando se fala em inteligências múltiplas uma das
    perspectivas que se tira é a de que ninguém pode ser considerado incapaz ou
    burro. Ninguém é bom em tudo. Einstein não era bom com dança nem uma pessoa
    sociável, mas era excelente com ciência. Dizer que ele é “uma anta” é uma
    inverdade. Dizer que os alunos que não detém certas habilidades são “umas antas”
    também é. Por isso simpatizo com a teoria. Posso me considerar “uma anta” e
    considerar outras pessoas assim, porém sempre para determinados aspectos,
    jamais na totalidade. Sou péssima para música, principalmente quando se trata
    de instrumentos, por mais que me esforce é uma tortura tentar aprender, pois eu
    não consigo; porém não me acho “uma anta” completa por causa disso, apenas “uma anta” para música. E não acredito que apenas
    alguns sejam providos de inteligência, todos a possuem à sua maneira. Mas não
    há problemas nas divergências de conceitos aceitos :) A conclusão é individual,
    no fim das contas.

  • André Oliveira

    Hellen, acho que você não poderia ter exposto de uma maneira mais clara e concisa aquilo que venho pensando a um bom tempo. Pena ter demorado tanto para perceber quão falho é o sistema de educação atual e quanto tempo eu perdi aprendendo, ou decorando, coisas que não me interessavam. Mas acho que o problema se estende também para o que é socialmente aceito como uma pessoa bem sucedida, afinal a maioria dos pais incentiva os filhos a estudarem, a fazer faculdade, a ter uma determinada profissão, não dando espaço para escolhas que contradizem àquilo que eles consideram ser a certa, a melhor.
    Agora aqui estou, na faculdade em um curso que provavelmente não escolheria de novo me perguntando que outras coisas eu poderia estar fazendo se tivesse tido oportunidade quando era mais novo.
    Excelente texto!

  • Kauê de Lima

    Primeiramente, à parte da divergência de pensamento sobre as “inteligências” múltiplas, é um ótimo texto e acredito que fala por quase todos aqueles que como eu, gostam de saber, mas não de estudar.

    E com relação a seu comentario, sim, a opinião pessoal é uma propriedade de cada um e só cabe à própria pessoa mudar ou não sua opinião. De qualquer forma, creio eu que a aptidão à música seja, como no exemplo de Neymar, muito mais uma questão de coordenação motora, que não pode, até onde eu saiba, ser aprendida, do que de raciocínio, lógica e/ou aprendizado. Se assim for, eu deveria ser considerado como uma escória na sociedade: meus reflexos são horríveis, coordenação motora inexistente, aptidão para relações pessoais bem abaixo da média. A única ocasião em que minhas aptidões físicas se sobressaem não pode ser considerada uma forma de inteligência: sou um exímio motorista/piloto de fds. No entanto, a vida toda fui considerado como uma pessoa muito inteligente, justamente pela facilidade que tenho de absorver e utilizar novos conteúdos, teóricos ou não, e muitas vezes, conteúdos que estava muito além dos meus conhecimentos ao tempo. Utilizando seu mesmo exemplo da música: às vezes me chamam de estranho, pois consigo distinguir e isolar em minha mente cada um dos sons em uma música, coisa que nenhuma pessoa que conheço faça também. Portanto, segundo a corrente das inteligências múltiplas, poderia eu ser colocado ao lado de Beethoven, Mozart e Bach? Não. A inteligência é, e creio eu que deva ser sempre, a capacidade de um indivíduo de aprender, acrescentar, absorver novos conhecimentos e utiliza-los ou não, de maneira prática ou não.

  • Nino Alves

    quando eu pergunto um professor ” Porque tenho que aprender isso?’ eh smp a msm resposta ” pq vai cair no enem” agr me pergunto pq vai cair isso no enem?

  • Leandro Arantes

    Eu estou cursando licenciatura em física à distância pelo CEDERJ, serei diplomado pela UFRJ. Faço isso pois onde trabalho (Angra dos Reis) não existe faculdade, agora que abriu um CEFET mas só tem o curso de engenharia mecânica. Estou no terceiro período e até agora o que eu vejo é um nivelamento por baixo, mas mesmo assim os alunos sentem dificuldades nas matérias mais básicas visto que o ensino da região é bastante fraco. Outro ponto importante é que o que nos é ensinado é justamente os pensamentos de Paulo Freire, divergindo do modo de ensino praticado hoje em dia. Mesmo assim o que realmente acontece não tem nada de Paulo Freire, até agora os períodos funcionam como preparo para as provas com exercícios totalmente direcionados para elas, ou seja, te treinam para que você passe. Assim fica difícil que o professor formado por este sistema tenha outra linha de ensino a não ser aquela que ele foi submetido por mais de 4 anos. Ainda estou na esperança de fazer algo diferente quando começar de fato a dar aulas.

  • Isabella Basso

    Entendo. Eu acho que devem continuar existindo matérias obrigatórias sim, pelo menos num nível básico, de ensino fundamental. Até porque as crianças até uma determinada idade são incapazes de tomar decisões cientes das suas consequências. Enfim.
    Você destacou um ponto importante: em um cenário onde os indivíduos podem escolher o que querem estudar, as ciências exatas seriam menos “populares” do que são hoje em virtude da dificuldade que a maioria das pessoas possui nessas áreas. Mas, vejamos, como eu disse anteriormente, os conceitos básicos de cada matéria devem ser ensinados a todos, porém cabe a cada um decidir se quer ou não aprender. Numa meritocracia cada um recebe de acordo com seu esforço ou conhecimento, e isso de certa forma incentivaria os alunos a serem bons em todas as matérias, pois seriam recompensados posteriormente. Aliás, o mercado de trabalho está muito favorável e com bons salários para profissionais de áreas exatas (por exemplo, engenheiros e físicos). Assim, naturalmente muitas pessoas buscariam essas áreas. Na verdade, não seria muito diferente da situação atual, já que quem segue essas carreiras o faz por ser bom e nutrir interesse pelas mesmas. Nunca vi alguém que não gosta de matemática segui-las, então isso não iria mudar.
    Enfim, não sou uma expert nesses assuntos de educação e tal, só tô dando a minha opinião, rs. Posso estar errada, é claro. E desculpa se não deu pra entender muito bem o que eu quis dizer, qualquer coisa é só perguntar.

  • Fábio Oliveira

    Estou impressionado com seu texto. Eu me formei no ensino médio no ano passado e desde que entrei no ensino médio, eu vinha dizendo isso aos meus colegas de classe. O mesmo conteúdo que você mostrou, é o que eu vinha mostrando. Apoio você em todos os aspectos quanto a isso.

  • Gabriela Lages

    Parabéns pelo texto. Concordo em absolutamente tudo, também.

  • abcdef

    Aí que tá, entendo o que você quer dizer quando diz que decorar reinos, filos, classes..etc da biologia não é educação. É um conhecimento “burro”, que é facilmente esquecido. Mas quando você vê o negócio no microscópio, aprende as coisas interessantes da biologia, entende os processos, isso não é mais um decoreba. Pois foi ensinado de uma maneira atraente. Lembro que aprendi muito bem a matéria de funções no ensino médio, pois eu brincava com um software de edição de aúdio, em que era necessário digitar a função da onda que você queria para gerar os sons. Acredido que se ensinada e avaliada corretamente toda a grade do EM atual é interessante. Pois o problema não está na matéria, mas na forma como o conhecimento é transmitido.

  • luanfernandess

    Lindo isso! não conhecia o estudo de Howard Gardner e já concordava com ele! Sempre falei que não existem pessoas inteligentes, pois todas as pessoas são “inteligentes” naquilo que sabem fazer bem e já tinha mais gente com essa idéia.
    Gostei demais do texto, eu, se um dia criar meu blog pessoal, iria/irei falar disso também pois ninguém concorda que eu larguei a faculdade e não entende o porque. Não aguentei essa padronização da ignorância.
    Parabéns! :)

  • Eduardo Goethe Junior

    Não perca as esperanças. Existem pessoas que estão conscientes disso e trabalhando com propostas alternativas a essa que você muito bem elucidou. Uma delas é o prof. José Pacheco, fundador da escola da Ponte em Portugal, e também fundador de uma escola em São Paulo que segue o mesmo modelo. Essas escolas não trabalham à sombra do vestibular, não possuem salas de aula e nem turmas. O vídeo do Rubens Alves a que você faz referência, ele diz sobre essa escola nos seguintes termos: “- A escola que sempre sonhei e nunca imaginei que existia”. Caso tenha curiosidade me enviei um email (eduardogoethe@gmail.com), eu possuo materiais que posso compartilhar. É isso. Parabéns pela brilhante exposição.

  • Gustavo

    Essa denúncia do sistema educacional brasileiro realmente deveria ser feito por mais pessoas, para tentar mobilizar uma possível reforma na educação,onde encontramos no texto motivos óbvios para isso. O método decoreba é o que mais prejudica o aluno que deseja estudar e seguir carreira, principalmente por causa do vestibular, um péssimo sistema de seleção, que utiliza de critérios muito elitista. Mas a seleção não é o que entra em jogo no momento, mas como se preparar pra ela…. Sou pré-vestibulando por 3 anos já, e sofro com esse sistema “copiou colou”. Eu fico muito triste com as aulas de grandes cursinhos em que o professor valoriza o esquema, o macete, o chute… eu não queria ser selecionado pela quantidade de informação que eu consegui decorar, queria que projetos sociais, histórico escolar, outras coisas tivesse mais peso nesse processo. Mas não, precisamos decorar a matéria, vamos cantar aqui na frente…. e o professor na maior boa intenção contribui para esse sistema desumano. Eu realmente acho que a educação merece uma reforma, talvez não tão radical como você deseja, como retirar certos conteúdos, acredito que o problema não seja a quantidade de coisas a se aprender, mas sim como se passa, como o professor faz a ponte entre teoria e a prática no dia-a-dia… A educação precisa ser mais “refinada” e o vestibular deveria ser extinto.

  • Michell Madeira

    se vc não for rico, vc não vai ter dinheiro pra pagar o balé da sua filha que tem inteligência corporal/cinestésica, muito menos dar apoio pra ela se formar. e esse exemplo pode ser transferido pra qualquer das áreas. impacto: nós vamos engolindo…

  • Paulo

    Podemos pensar também que o problema corra em outra direção. Olhando o quadro de Howard Gardner é imediata a sensação de que não podemos estar centrados em um único modelo de inteligência. Quando limitamos o conhecimento a alguns tópicos que “alguém” acha serem os mais importantes, continuamos a nos submeter a um modelo restritivo, que muito provavelmente não terá nada a ver “comigo”, pois o modelo continua não sendo meu. Escolher legislação, trânsito e nutrição é, como indicado, uma escolha, feita por alguém (ou “alguéns”) em detrimento de outras escolhas, como por exemplo, geometria analítica, orações coordenadas e guerras púnicas. De fato, nada indica que essas escolhas serão ou não utilizadas no futuro, nem mesmo legislação, que eu como aluno, posso odiar e tenho todo o direito para tanto, pois o que gosto mesmo é de pintar quadros como Pollock ou olhar para o céu e escutar o silêncio de uma noite estrelada ou desenhar uma planta rasa de uma casa de inverno, no caderno de caligrafia. Mas como vou saber se é isso que eu gosto e aquilo que desgosto se não conheço nada… aí está o papel da escola (bem como da família,da sociedade, dos meios de comunicação, etc., que são todos meios limitados de conhecimento), que é permitir que eu conheça o máximo possível, e permitir que eu desenvolva as ferramentas necessárias para que minhas escolhas futuras sejam livres e estejam de acordo com aquilo que mais se identifica comigo (seja ganhar dinheiro, ser feliz, morar no mato, criar minhocas, calcular integrais ou algorítimos ou escrever livros de literatura bêbado durante as madrugadas). Aí sim, está o problema das escolas, com quem também, enquanto indivíduos, devemos dividir o ônus. O empoderamento das escolhas necessita conhecimento, de fora e de dentro, se não, serão apenas escolhas feitas por algo que não nós mesmos.

  • Gustavo

    Concordo e discordo de você ao mesmo tempo. Concordo que o texto foi sustentado por argumentos artificiais, tanto que minha resposta pra autora foi essa, que o Brasil precisa, sim, de uma reforma na educação, mas não retirar matérias que ela julga ser inútil e muito específico, o que como você disse não é, já que muitas profissões no futuro que aparentemente não necessita de geometria analítica, podem precisar, utilizo aqui o mesmo exemplo da autora. Mas discordo que o vestibular seja uma boa seleção, ao menos que nos dissessem que seria uma medida paliativa até rearranjarem a estrutura educacional em âmbito nacional, mas não, o vestibular chegou como medida definitiva, e isso me dá medo.

  • Carla

    Bah, parece que eu escrevi esse texto. Parabéns. Bem o que vc disse…queria ser ignorante. Porque quanto mais se aprofunda nesses temas, mais decepcionada e deprimida fica pois não tem o que fazer, o sistema inteiro está errado….e não vai mudar.
    Eu não tenho filhos e nem pretendo ter, e uma das razões é essa.

  • HellenMA

    Bruna e Emanuel, vocês fizeram os comentários mais pertinentes para as críticas que recebo sobre o texto. Estas críticas são majoritariamente sobre o exemplo da GA. Eu tenho a impressão de que se tivesse usado o exemplo das orações subordinas e coordenadas (e eu pensei mesmo em usá-las) as críticas negativas não seriam tantas justamente por não ser um exemplo de exatas. Não vou me estender na questão da supervalorização das exatas, pois já o fiz no texto e a Bruna a reforçou, mas é quase uma certeza de que muitos concordariam com o exemplo e se expressariam com frases do tipo: “Realmente, o que eu ganho sabendo que a oração é coordenada sindética explicativa? Nunca vou usar isso na minha vida!”. Mas como foi um exemplo que se encaixa na frase: “Realmente, o que eu ganho sabendo que a equação reduzida da elipse é x² sobre a² mais y² sobre b² que é igual a 1? Nunca vou usar isso na minha vida!”, muitos ficaram afetados. Parece que tudo de exatas, por mais dispensável que seja, é de extrema importância para a vida de todos os habitantes da Terra. E esse “tudo” é em relação à aprendizagem. Eu não compartilho dessa visão, mesmo tendo passado minha vida estudantil inteira com mais interesse nessa área. Eu caí nas humanas de paraquedas (e foi uma boa queda).
    Num dia desses estava conversando com uma amiga que se formará em História no fim do ano e ela não se recordava nem em que situações se usa a fórmula de Bhaskara, muito menos da fórmula em si. Pergunte a ela se isso faz falta. Não faz. Nenhuma. Não faz falta para mim. Nem a GA, nem as orações, nem Bhaskara. Eu sinto falta de não ter aprendido sobre nutrição e política na escola. Talvez se tivesse tido informações sobre estes assuntos eu não teria crescido uma pessoa tão alheia à minha saúde e à minha qualidade de vida, assim como não teria crescido tão tapada politicamente quanto sou hoje. Hoje eu corro atrás do prejuízo em relação à nutrição e à política, vim aprender sobre elas “depois de velha”. Com certeza eu teria ganhado muito mais aprendendo sobre isso do que tentando aprender a classificar orações ou a descobrir a equação da reta tangente. E não, eu não estou dizendo que a Matemática e a Gramática devam ser extintas da escola, como muitos interpretaram no texto e interpretarão ao ler este comentário. Interpretação é uma coisa pessoal, cada um entende o que lhe convém, mesmo que o autor e outros leitores tentem explicar exaustivamente o que ele quis dizer. Eu defendo uma reformulação nas matérias existentes, retirando alguns conteúdos e a incluindo novos; assim como uma reforma no modo como os conteúdos serão ministrados. Parece que esta parte muita gente esqueceu de ler ou ignorou. Eu prezo pelo tempo também. A infância e a adolescência não são enormes e não devem ser voltadas única e exclusivamente aos estudos (minha opinião).Para ensinar com qualidade tudo que é demandado na grade atual necessita-se de muito tempo e não creio que esse tempo exista, por isso ele deve ser calculado para ser usado da forma mais benéfica possível para que as crianças e os adolescentes de hoje tenham um futuro melhor e sejam adultos mais conscientes da realidade.

  • HellenMA

    Eu defendi que os conteúdos devem ser expostos de outra forma, como foi o caso do exemplo do movimento de revolução da Lua. Eu deveria ter escrito sobre a multidisciplinaridade e assim não haveria tanta discordância entre o que eu quis dizer e o que muitos entenderam. Eu deveria ter sido mais clara na relação conteúdos inúteis/forma de ensiná-los. A maior parte do que se aprende em GA é decoreba e eu nunca tive a oportunidade de ter uma aula de Física que envolvesse a GA tal como é vista isoladamente. Nenhum professor de Física citou GA para mim, pois o que se tem de GA nas explicações de Física não necessita de uma aula específica do tema. Eu aprendi o que é uma reta em Geometria Plana no ensino fundamental, com 8, 9 anos de idade (não me recordo com clareza quando foi, desculpe). Antes disso, é claro, eu já tinha uma noção. Não precisei de ter aulas complexas de GA nem preciso me voltar à este conteúdo para discernir o que é uma reta de uma curva.
    E ao defender uma mudança na forma de ministrar os conteúdos tenho a intenção de que o ato de decorar seja reduzido ao mínimo. Sei que decorar é algo necessário, mas o principal. Talvez você enxergue a legislação, a economia e as noções sobre trânsito apenas pela forma que são ensinadas pelo sistema atual, o qual critico. Por isso acha que aprender coisas para a vida adulta é estar DECORANDO. Você acha que ensinar a uma criança a função de um prefeito e mostrar a ela as formas que ela pode cobrar que seu trabalho seja efetivado em prol da comunidade é estar decorando? Você acha que conversar com as crianças sobre o respeito que um motorista demonstra ao parar numa faixa para que o pedestre possa seguir seu caminho com segurança é fazer elas decorarem regrinhas de trânsito? Eu não acho que nada disso seja “decoreba”. E o “pensar” a que me refiro vai totalmente contra a sua visão de que para se aprender é preciso unicamente reproduzir o que alguém pensou. É preciso aprender o que alguém pensou e, a partir disso, ter base para que possa tirar suas próprias conclusões. Entender um pouco do capitalismo a partir de Marx não é decorar com todas as vírgulas o conceito de mais-valia e escrevê-lo como resposta da prova, é ter sido exposto a ele, entendê-lo e raciocinar sobre ele, sobre o que ele representa na vida das pessoas, sobre o impacto que ele tem na vida dos seus pais (no caso, os pais da criança que aprendeu sobre mais-valia).
    A abstração foi uma capacidade que nunca foi valorizada na forma que me ensinaram a estudar. Pelo contrário, ela foi reprimida. Assim como a criatividade. Mas isto é algo muito pessoal. Eu não conheço todas as escolas e métodos educacionais do país para afirmar que isso é uma constante. Aconteceu comigo e isso não é motivo pra eu dizer que aconteça necessariamente com todos os alunos. Eu apenas não tive essa sorte.

  • HellenMA

    Uma das questões que eu pondero quando penso se quero ou não ser mãe é a educação também. Não sei se teria coragem de trazer alguém ao mundo para passar por isso…

  • Guest

    Ótima posição. Só não concordo com a parte de retirar matérias ‘inúteis’. Pra mim, essas matérias nos introduzem no mundo das ciências, o que não é ruim.

  • Binho

    Desculpe, mas você já foi cooptado pelo sistema educacional fracassado do Brasil. Sou professor de geografia e sou totalmente contra currículos fechados,, engessados, deviam ser de escolhas das escolas e comunidades atendidas. Quem quisesse saber especificamente de um assunto perguntaria particularmente a um professor ou teria tempo de faze-lo num curso técnico ou faculdade. Hoje se vê educação e técnica juntas, erro crasso, grave e não pode passar incólume, educação é abrir mentes, tudo que aqui no nosso país, não acontece
    leia sobre a educação finlandesa , leia Howard Gardner.abraços

  • Gabriel Ferraz

    Hellen, concordo com tudo que vc disse! estou no 9 ano (tenho 14) agora, e queria saber, se há algum jeito de nós mesmos, estimularmos tudo que a escola não nos ensina a fazer (criatividade, pensamento crítico, etc ) e ao mesmo tempo ”fugirmos” de ser robotizados pelo sistema educacional?Obrigado desde já!

  • Mila

    Seu texto está maravilhoso. Sentia que essa angústia era só minha, que as pessoas já estavam tão incrustadas

    nesse sistema limitado e caótico que não conseguiriam me entender.. Enfim, é um alívio poder saber que outras pessoas ainda alimentam sua visão crítica, mesmo ao que já é entregue a elas enlatado.

    Gostaria de indicar duas leituras para você: O livro “O início e o fim” de Isaac Asimov, se não estiver com tempo de ler, as primeiras páginas já são suficientes para nos engrandecer. E a segunda indicação é que você procure algum material sobre a escola da ponte, em Portugal, é um dos poucos espaços educacionais que ainda vêem o aluno como uma PESSOA, criativa e inteligente.. tenho uma prévia aqui, mas vale a pena ler mais:

    http://www.youtube.com/watch?v=MtGyHzIafLc

    http://www.youtube.com/watch?v=xzz4oDWVd6k

    obrigada, beijos

  • Ricardo

    Sou estudante de engenharia e professor de física.

    Sua opinião baseia-se totalmente no seu campo de atuação e estudo, pois como pode um estudante das áreas exatas se formar sem compreender o que é um ponto ou uma reta (geometria analítica)?
    Teremos físicos, químicos, engenheiros civis, engenheiros mecânicos, etc. que não sabem projetar um edifício ou um motor pois não conhecem ângulos?
    A respeito desse método de decorar, enfatizado por você, posso falar que é um método utilizado em cursinhos e em escolas que a própria comunidade cobra a preparação para o vestibular.
    Trabalho em uma escola onde matemática, física e química são ensinadas de forma que qualquer conteúdo deve ser explicado e não decorado e conheço muitas escolas que trabalham com o mesmo método. O aluno tem que possuir o completo entendimento do conteúdo, ou seja, apenas decorar uma fórmula não é o suficiente, ele precisa saber de onde ela vem e principalmente como aplicá-la.
    Esse teu mesmo texto poderia ter uma abordagem totalmente diferente se escrita por um professor de matemática, por exemplo, deixando a entender que não necessitamos de disciplinas como filosofia, sociologia e religião. Um outro

    exemplo seria estudar os povos da mesopotâmia, Para que me serve isso para a vida? (poderia alguém sem conhecimento dizer)
    A despeito do método avaliativo quantitativo (notas), no estado onde trabalho, a secretaria de educação baixou um decreto que rege a avaliação “qualitativa”, onde os alunos recebem conceitos e a massiva maioria dos alunos se mostrou insatisfeito pois preferia as notas.
    Essa ideia de “para que me serve esse conhecimento” é no mínimo medíocre, pois parafraseando Steve Jobs, aprenda a conectar os pontos, ou seja, não é porque um conhecimento não lhe é útil agora que não o será mais adiante. A física por exemplo, ajuda a desenvolver a lógica que de uma forma ou de outra é utilizada, ou deveria ser, por todos. Exemplificado, em estudos recentes verificou-se que a mesma região do cérebro responsável pela matemática é também responsável pela música e arte.
    Já estudei Paulo Freire, Piaget e Vygotsky quando fazia Licenciatura em Física e se me lembro bem, Piaget baseou-se em experimentos físicos aplicados a crianças para defender suas teses.
    Essa tua visão restrita não colabora em nada com a melhoria do ensino, só mantém a experiência que você mesma teve, de aprender só aquilo que é necessário para aquele momento e decorar para “passar”.

  • Fernanda Calvo

    Só consigo dizer parabéns! Você retratou fielmente as aflicoes dos estudantes que realmente querem se comprometer com o conhecimento!

  • Pare de reclamar

    Isso ai ta mais pra textinho de quem não gosta de estudar e fazer provas, e digo mais, ta bem parecido com texto daqueles tipos de pessoas que se acham inteligente e não têm o sucesso que almejam ou não são reconhecidos pelo que fazem… A educação hj esta em seu modelo correto, apenas mal executado pela falta de investimento. A capacidade de pensar vem com a experiencia do que vc estuda, vc aprende isso intuitivamente e não precisa ser ensinado. Outra coisa se tu queres ser reconhecida pelo padrões atuais da sociedade (fama, dinheiro, conhecimento, titulos, status, poder), então siga suas regras porque reclamar delas não vai te trazer oq tu queres.

  • Renato Rivero

    Excelente texto, porém eu gostaria de comentar duas coisas pontuais:

    1 – Exemplo dado Geometria Analítica no Ensino Médio. Acho que há outros exemplos melhores, pois a G.A associa localizações, distâncias, logísticas e conhecimentos que serão úteis não apenas para engenheiros e matemáticos. Dá para associar com Física (estudo de força) e com computação gráfica (criação de jogos: um novo e expoente ramo).

    Talvez Números Complexos ou Polinômios sejam exemplos melhores.

    Por outro lado, suponhamos que se cortem conteúdos do E.M…….E repassemos para o Superior, para que sejam estudados somente pelos alunos que se interessam pela área…..teremos outra consequência: as graduações teriam que ser mais longas, pois o programa de um curso de graduação quase sempre é planejado levando em conta que o recém-graduando domina a Matemática do Ensino Médio (teoricamente demonstrado no vestibular…….sim TEORICAMENTE, pois na prática sabemos, e o blog confirma, como quase sempre funciona) e então já se avança em Matemática de nível superior (cálculo, álgebra linear, etc)….Se o camarada não viu G.A, Polinômios e Matrizes, com certeza não irá conseguir acompanhar o curso……

    Na hora de se reformular a Educação temos que levar em conta essas variáveis.

    2 – Corrigindo a teoria de Gardner, da qual sou bem interessado, faltou apenas um tipo de inteligência: a existencial….que é, em resumo, a capacidade do ser humano perceber o sentido de vida, o propósito da existência….A Filosofia e Sociologia devem abordar essa questão muito bem. Esse tipo de inteligência nem sempre é apontada pois seu sinônimo seria “inteligência espiritual”, cujas palavras não são bem vistas pelo sistema laico……E eu até entendo, pois alguém poderia derivar para religião……mas não: existencial (ou espiritual) está associada com o sentido da existência……essa inteligência não associa a crenças, sejam quais forem.

    Forte abraço! Todos por uma melhor e séria educação!

  • HellenMA

    Pare de me julgar. Você não me conhece, jovem. Mas vou te contar um pouquinho sobre a autora do texto: ela sempre foi aquela aluna “modelo”: com boas notas, o exemplo usado pelas mães dos coleguinhas, o orgulho da família. Num belo dia ela caiu na real e percebeu que este modelo não era o melhor para a vida dela. Aí ela resolveu escrever e saiu este texto que você leu e não gostou. E ela se acha inteligente sim, assim como acha inteligentes muitos dos que o sistema educacional trata como inexistentes. Pronto, você já sabe o mínimo do mínimo da vidinha mais ou menos dela. Agora, por favor, ataque, agrida, destrua os argumentos, não a minha pessoa. Estamos combinados? :)

    E ah! Se eu quero ver mudanças, não posso ficar calada. Você aprova o atual sistema educacional. Eu não. Cada um com as suas convicções. Tenho certeza que tem coisas das quais você discorda e não fica inerte, não é mesmo? :}

    Obs.: Destes: fama, dinheiro, conhecimento, títulos, status, poder, só faço questão do segundo e do terceiro, se for do seu interesse. O resto eu dispenso.

  • Renato Carvalho

    Lei de Campbell: “Quanto maiores forem as consequências sociais do uso de um indicador social quantitativo, mais ele estará sujeito a ser corrompido e maior será a probabilidade dele distorcer e corromper os processos sociais que pretende monitorar.”

    Ou seja, vestibulares, enem & cia, devido a sua enorme consequência na vida das pessoas, ajudam a distorcer a própria educação que eles pretendem avaliar e a reduzi-la a um treino para obter bons resultados neles mesmos.

  • Aline

    Desculpe, mas parei de ler no ‘sedo’ …

  • Victor

    Entendo seu ponto, entretanto, discordo. Educação não é meio para um fim; não se deve aprender ou deixar de aprender algum assunto porque ele não será usado. Infelizmente o ensino básico e mesmo o superior têm esse tom profissionalizante e pragmático, mas o papel da educação é muito maior.

    Concordo que a combinação da prática com a teoria melhora o ensino. Mas a teoria também é importante, e muito. A teoria permite abstração, contemplação, reflexão de temas que talvez jamais tivessem sido imaginados. A teoria muitas vezes estimula um raciocínio criativo. Concordo que, muitas vezes o ensino fica apenas na decoreba de fórmulas, o que também lamento. Mas se você defende a criação de seres pensantes em vez de “robôs”, é importantíssimo que cada estudante, independente da área, conheça a área de humanas, exatas, biológicas, e aprenda a amar o conhecimento por si só, e não porque o conhecimento lhe renderá uma boa profissão.

  • HellenMA

    “Este objetivo, então, tem a ver com a profissão e a função social que os jovens terão quando forem adultos. Não vou entrar no mérito de que hoje se estuda para ter um bom emprego, pois esse tema é amplo e pode ser contemplado num artigo próprio”. Eu juro que pensei que tinha ficado claro que eu discordo com essa visão do estudo voltado à profissionalização. E também pensei que tinha deixado claro que eu não acho que os estudantes devam se focar única e exclusivamente em suas áreas preferidas, mas que o que lhes for exposto tenha valia nas suas vidas enquanto pessoas, dispensando o que julgo desnecessário e incluindo estes temas mais “aproveitáveis” para a vida de uma forma geral, independente de onde vem esse conhecimento, se vem das Humanas, das Exatas ou das Biológicas. Mas, tá certo, eu não me expressei bem. Valeu pelo toque. Estou aprendendo a escrever :}

  • Morgan

    Em país de tolos e de acomodados, nada mas natural neglecienciar o ensino… Acho o enem interessante porque não tem essa de decoreba se o cara gosta de ler se da bem, se não vai, sofrer, mas mesmo assim não esta preparado para ser um futuro profissional. Para a sua caminhada e seus desafios, porque uma coisa e a teoria e a outra e a prática são coisas distintas e ao mesmo tempo separadas, enfim Brasil não tem cientistas ganhadores do prêmio nobel porque? Preferem aplaudir pessoas como neymar, faustão e por ai vai a lista e imensa de pessoas fúteis… Deixando de lado Carlos Chagas entre outros que contribuiram de verdade…

  • Carolina Kowalski

    concordo plenamente, a relação entre escola, cursinhos e vestibular é um grande mercado, somos enganados e pressionados por pessoas que não nos valorizam e não nos conhecem direito, somos apenas números ou uma foto no mural da escola com a cara pintada… De pouco importa os nossos sonhos, a nossa felicidade ou o nosso esclarecimento

  • Sued Lima

    Na minha opinião, conhecimento e educação são conceitos que deveriam ser unidos. Uso o comentário do Emanuel para expor uma de minhas teses: “Se eu for em um lugar é raro esquecer como chegar de novo”, nela penso que uma pessoa aprende de verdade a partir de experiências vividas. Vou usar um exemplo banal, mas bem real: Como você aprendeu a pagar uma conta? Perguntando à alguém, indo ao banco e aprendendo que se paga no caixa, e não em outro lugar. Daí você nunca mais esquece o que aprendeu, não por ser cotidiano, mas sim por ser uma situação real. Não é?
    Por favor, diga que essa tese faz sentido. haha

  • Jerry Wendel

    Parabéns, é exatamente isso a escola, formadora de burros.

  • André Oliveira

    Obrigado pelas indicações Mila e me desculpa pela demora, realmente não vi seu comentário antes. Quanto ao livro, terei prazer em ler assim que tiver um tempo e quanto a esta escola em Portugal, acredita se eu te disse que José Pacheco veio até a minha universidade dar uma palestra sobre esta escola mas eu ão pude comparecer? :/ Na verdade, eu nem fiquei sabendo da palestra dela já que não houve uma grande divulgação, mas alguns amigos meus foram e me contaram sobre as inovações que ele fez e todo o seu trabalho diferenciado. Realmente sensacional!

  • Adnilson Fidelis

    Concordo com tudo dito! E essa frase achei mt interessante “A educação virou comércio, virou negócio. Quem lucra não é o aluno, são
    os empresários do ramo e o Estado que estima robôs, não seres pensantes.
    E isso é doloroso. É doloroso tomar consciência do que fazem conosco.”

  • Nspmm Chapola

    Desde minha infância eu notava que o sentido de ensino brasileiro vinha pelo princípio da “aceitação”, em um estudo que li dizia que quando chegamos em uma escola temos como 97% de nossa mente focalizada a criatividade, no término dela somente temos como 7%.
    Ou seja, estamos sendo robotizados, ensinados a aceitar aquilo que nos dizem, estudei filosofia, porém mais parecia história, pois eu aprendia uma visão que alguém teve daquilo que um filosofo disse, se eu não concordasse com a interpretação, de nada valia.
    Quando estudava direito minha professora chegou a dizer que por mais que existam outras metodologias civis de titularidade, eu teria que aceitar a visão dela e ir contra isso significaria não passar em sua matéria.
    No ponto de aprender algo que não iremos utilizar , acho interessante a intenção de que sejamos polímatas, porém é algo pessoal, mas sempre fui totalmente contra a tudo que querem que eu pense que é… a história é burlada, a biologia é fundamentada em uma visão de teoria obrigatória e no fina cria-se uma unidade de juventude onde o efeito final é criar 90% de massa alienada e um 10% de mente que a possa dominar e manter esse ciclo de pseudointelectualidade.,

  • Cléssio Alves Sousa

    Isso! Carrego a mesma dor e uma certa revolta. Não minto. Mas com o tempo agente vai vendo e aprendendo a dar risada. Só tem um ponto que eu discordo, é o fato de dizer que o conteúdo é excessivo para o ensino médio. Todo este conteúdo deve ser visto ou apresentado, nada está ali do nada. Seja qual for a área. E o indivíduo, qualquer pessoa deve ter noção de geometria analítica etc…mas, para mim, o peso (cobrança) não devia ser o mesmo para todos. No momento da matricula, o estudante diria quais disciplinas para ele é mais interessante ( perguntar só para os alunos que começassem o ensino médio) e a cobrança ( enquanto existir essa MERDA de prova) deveria ser de acordo com o que ele se propôs a se aprofundar. Assim como era foda assistir aula de português e fazer as provas é foda para alguns fazer as provas de física e assistir as aulas. As turmas que lecionei esta matéria até hoje me cumprimenta na rua por eu ter esta postura. Pq reprovar e cobrar excessivamente nas provas sabendo que na sala tinha estudante que iria prestar vestibular para Letras ou História etc?

  • Lúcio Kobayakawa

    Oi! Estou tardiamente iniciando carreira docente, por enquanto como eventual, e me pergunto e também aos alunos, o que querem aprender. Me questiono como ensinar mas me incomodo mais com o que seria essencial em cada fase e cada idade. Inevitável não recorrer aos livros didáticos e dar uma lida nos PCNs. Dúvidas e angústia devido à falta de envolvimento da maioria. Preciso de respostas. Mas começar pelas perguntas deve ser um caminho. Abraço.

  • Lucas Cademartori

    E é verdade! Nunca me dediquei na escola e sempre tirei notas medianas pois sabia que os conteúdos eram um lixo. Hoje estou na faculdade com a mesma situação, mas por outro lado estou investindo em mim mesmo que é muito melhor que o ensino falido brasileiro. Escola forma, não educa é o que sempre pensei.

  • Renan Aryel

    É fruto do sistema vigente a partir do século 20, “educa-se” para se formar operários.
    Mas seu texto até quando você começou a usar geometria analítica como exemplo, pela forma como começou o testo já dava para perceber o tendencialismo de sua opinião. Se quer argumentar precisa de dados científicos, e deixe sua opinião pessoal de lado.

  • luizpicolo

    Discutimos isso em sala de aula ontem. Este é o exemplo dos frutos deixados por uma educação que visa “mão de obra”.
    Porém, eu discordo que o conteúdo é o problema. Na realidade, dentro de uma educação, a grande diversidade de conteúdo deve ser encarada como algo bom, pois, a escola deve visar apenas uma coisa, o conhecimento. Contudo, isso vem sendo criticado por muitos.
    Hoje ainda, vejo minha mãe falando para meu filho que ele tem que estudar para ter um bom emprego. Ele não deve estudar para ter um bom emprego, mas sim para ter conhecimento e aplicá-lo ao seu meio, não para mudá-lo, ninguém muda ninguém, mas para ele mesmo possa ser uma pessoa diferente.

  • Isa Turatti Lobo

    Ótima abordagem Hellen,concordo em tudo que disse e me sinto como você se sente em relação a isso.E também acho as vezes que a ignorância é uma virtude. :/

  • Lorrane

    Parabéns pelo texto, também sou estudante de direito, já trabalho como advogada e estudo para concursos, também vejo o mesmo que você na nossa realidade, especialmente no mundo do direito, é uma pena.

  • Gabriel

    Belo texto Hellen parabéns! Gostaria de deixar um pensamento que já tenho a algum tempo também. Sistemas como o da educação são alimentados pelo produto final, ou seja, por um processo de retroalimentação, no caso, o vestibular e concursos públicos que acabam por ditar qual o conteúdo deve ser mais explorado dentro da sala de aula. Dessa forma, penso que seria um grande avanço se além de notas das provas nos exames de seleção (principalmente para o vestibular) outros fatores fossem pontuados, como práticas esportivas, artísticas e principalmente estágios voluntários. Como consequência, candidatos se preparariam de uma forma diferente para o vestibular, se dedicariam mais a atividades artísticas e esportivas além de prestarem um estágio voluntário (hospital infantil, APAE, entre outras) e como consequência as próprias escolas iriam gradualmente se dedicando a atender essas demandas de alguma forma, seja por convênios, projetos de extensão etc. Também concordo com as suas sugestões sobre economia, direito entre outros, que deveriam ser cobrados no vestibular, embora esses talvez precisem de um processo um pouco mais complicado uma vez que imagino não se enquadrarem dentro do conteúdo programado pelo MEC

  • Emily Freire

    Falou tudo! Queria que mais pessoas pensassem assim e se mobilizassem em busca de mudar esse sistema educacional.
    Recentemente postei no Facebook também a minha indignação com o sistema educacional brasileiro e várias pessoas, até meus professores, comentaram a favor. Percebo que não sou só eu que penso assim, porém, se quisermos ver alguma mudança teremos que agir juntos.
    Não concordo com a injustiça que o método educacional preza que sobrecarrega o aluno de informações e fórmulas sendo que metade do que foi “aprendido” se quer será utilizado.
    Do que adianta o aluno aprender polímeros, número complexos, polinômios se ele deseja cursar Direito ou Ciências Sociais, por exemplo? Além de simplesmente suprimir nossos talentos para artes, exatas, culinária ou esportes, para simplesmente “preparar” para uma prova que não avalia absolutamente nada, a não ser o seu potencial de decorar assuntos, fórmulas e sua resistência física e emocional.
    Sinceramente, a educação de hoje em dia se tornou um conceito muito distante do que realmente significa.

  • Gabriel Vasconcelos

    Estudo errado- Pensador o/

  • Eterno aprendiz

    Dois problemas:
    1. O governo não quer pensadores, pois como Paulo Freire disse bem “Seria uma atitude muito ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que permitissem às classes dominadas perceberem as injustiças sociais de forma crítica”. Por isso a futilidade, a ostentação e a banalidade são moldados pelo sistema e pela mídia corrompida para ser o pensamento “de base” da população “de base” da pirâmide, gerando consumo e ao mesmo tempo “blindando os que já são ricos de fatores externos”, ou seja, de competição acadêmica e se mantendo no conforto de usar a “moeda social materializada em papel” para corromper tudo e a todos.
    2. Sairia caro moldar a educação para ter um profissional para cada aptidão possível a cada aluno do Brasil, mas este é de menor importância porque o primeiro item já é suficiente pra manter a educação travada. O aprofundamento no conhecimento de determinada área exige foco e como diabos dá pra ter foco tendo que estudar biologia quando o foco individual do aluno é português? Qualquer massificação que seja é um “achatamento e superficialização da realidade”. Já notou que as novas gerações (da Y pra frente) sabem um pouco de tudo mas de forma superficial? Descobriu um segredo de guerra, em um país que até já fez a propaganda “venham poluir no Brasil, porque ainda é permitido”.

    Pra fechar, faça como Gandhi: “Se queres mudar ao mundo, muda-te a ti mesmo”. Estude por conta própria e ganhe o mundo, porque essa terra já foi vendida, desletrada, desarraigada e condenada.

  • Amanda

    O papel da escola não é ensinar tudo, boa parte da educação vem de casa. Tudo que aprendemos na escola é pré requisito para alguma coisa. Concordo que a maioria das coisas que aprendi nas aulas de matemática não servem para nada, profissionalmente, mas eu so viria a descobrir isso depois, na faculdade, que me auxiliou a ter uma profissão. Caso eu tivesse optado em faculdade de exatas, matemática teria sido muito útil. Mas eu só saberia disso anos depois… Concordo que deveríamos ter matérias mais contextuais com a nossa realidade, como politica, economia, legislação, transito entre outros, mas isso só será possível se tivermos professores bem qualificados, críticos, com autonomia e crianças com vontade de aprender, hoje em dia a molecada não quer saber de nada, quer vida fácil, só quer direitos e não querem cumprir deveres… tudo isso com a proteção dos pais super protetores que tem em casa…
    Devemos abandonar um pouco esta historia de achar que o governo é responsavel por tudo, esperar menos dele e fazer as coisas por conta própria. Que ideal mais paternalista tem o povo brasileiro, sempre colocando a culpa em alguém ou sempre esperando que alguém faça alguma coisa por ele afff…

  • Rodrigo Nóbrega

    Você escreveu muito bem. Entendi perfeitamente o ponto de vista ao ler atentamente. O problema é que muitos aqui ainda estão aprendendo a ler. Hehe.
    Ótimo texto. Concordo plenamente.
    Concordo que alguns assuntos (não disciplinas como um todo, como muitos interpretaram) seriam dispensáveis do ensino médio, para permitir substituição por assuntos atualmente não abordados. Para quem está criticando, o que queria? Que os assuntos atuais sejam mantidos e além disso acrescentados todos os demais assuntos relevantes? Só se incluíssem mais anos ao ensino médio. É uma boa ideia? Claro que não. Equivaleria a incluir no ensino médio parte do conteúdo do ensino superior de todas as áreas. É preciso saber selecionar adequadamente os assuntos mais relevantes para todos, pois é óbvio que não dá pra ensinar tudo que seja possivelmente útil.
    Digo mais: estamos em uma era digital. O que se pretende aprender a mais por curiosidade, se não for fácil encontrar o livro, encontra-se na internet. O que se deve estimular também é essa busca por conhecimento (e os lugares certos para encontrar respostas confiáveis). Portanto, não é porque a escola não ensina tudo que a pessoa não estará preparada para uma eventual necessidade de conhecimento além da sua área. Basta que a pessoa pesquise. A escola deve ensinar o essencial e o que tiver melhor resultado para o todo. Conhecimentos além disso devem ser buscados por iniciativa do próprio indivíduo.

  • Luana

    Belo texto. Nunca fui boa em provas e pensava que isso me fazia a pessoa mais burra do mundo,além de nunca “memorizar” as matérias. Hoje vejo que não estava tão errada. Obrigada!

  • Ttêtê Tejanklin

    A valorização de determinados segmentos do conhecimento, aliado à visão pragmática que norteia os processos de ensino-aprendizagem, como bem se vê pelos exemplos das provas e vestibulares da vida, caracterizam um paradigma educacional baseado em conteúdos e não na mobilização destes em contextos práticos. A meu ver, essa lógica de ensino, perpetuada pelo nosso sistema escolar, é simplesmente antiquado e sem conexão significativa com a realidade.

  • Felipe Montiel

    Sensacional!

  • Luiz Bragiato

    Também sou estudante de Direito e sabe do que eu sempre senti falta na universidade e nos ensinos fundamental e médio? Aulas voltadas ao pensamento crítico, à argumentação, ao estudo das falácias e à oratória. Acredito que tais disciplinas seriam de extrema valia para que o aluno fosse preparado para o debate político em sociedade, já que objetivam o desenvolvimento do senso crítico e de habilidades de avaliação, elaboração e comunicação de pensamentos.

    Acrescente-se que acho uma pena que atualmente a disciplina de redação seja direcionada, no mais das vezes, somente a preparar o aluno para a dissertação de 30 linhas do vestibular, ensinando-o a escrever com base em fórmulas prontas (introdução com tese + 2 ou 3 argumentos + conclusão). O aluno deveria, isto sim, ser ensinado a defender suas ideias seja em qual contexto for, independentemente do número de linhas.

    A internet poderia muito bem ser utilizada como aliada para esse fim. Seria muito interessante, por exemplo, que professores gerenciassem ambientes virtuais em que os alunos fossem avaliados, após discutirem entre si sobre política, cultura, filosofia, sociedade e outros assuntos de relevância. Um ensino assim, com certeza, seria mais apropriado para municiar o aluno com conhecimentos e ferramentas para o bom desempenho da cidadania no contexto social em que se insere.

  • Gustavo

    Parabéns pelo artigo bem escrito e que diz claramente o que é a educação nesse país. Eu li alguns dos comentários abaixo e percebi que uma parte deles não entenderam a sua mensagem e ficaram presos a alguns exemplos , que eram apenas ilustrações. Mas para quem teve uma educação brasileira é esperado essa falta de discernimento mesmo. Compartilho da sua opinião e fico feliz que mais pessoas também partilham , obrigado Gustavo

  • $2860821

    Sobre nosso método de ensino, recomendo como leitura complementar, um relato do físico Richard Feynman com base no que viu durante sua passagem por alguns de nossos centros acadêmicos.
    Não consegui adicioná-lo aqui, mas encontra-se facilmente na Internet.
    E uma notícia recente: governo do estado de SP removerá da grade acadêmica dos 3 primeiros anos do ensino fundamental de escolas com período integral, as disciplinas de geografia, história e ciências.
    E a cada dia, nossas crianças têm sua base de ensino reduzida…